Hemingway

No verão de 1975 descobri Hemingway. Passávamos as férias numa casa alugada em Mongaguá e uma edição com uma história de Hemingway com o personagem Nick Adams apareceu por ali. Acho que era um brinde na compra de uma revista. Realidade? Enfim, li e reli a história e hoje estou relendo O velho e o mar (leitura do mês para o grupo de leitura que frequento). Uma espécie de memória proustiana me levou de volta a dias de calor, muito mar,  muita leitura e muita imaginação solta. E reconheço a beleza, fluidez e precisão da prosa de Hemingway. Logo depois descobri F. Scott Fitzgerald em Suave era a noite.  Que bom que voltei a ter meus livros como companhia nesse momento de minha vida. É como voltar a ser adolescente.

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Quaresma

Este ano o Carnaval invadiu a Quaresma e eu não gostei. São eventos diferentes: um é todo exterior, o outro todo interior. Um é se mostrar aos outros, o outro é tentar se ver. Um é em alto volume, o outro é quase em silêncio. Um é multicor, o outro é roxo. O Carnaval este ano parecia uma festa de desesperados ao final do primeiro milênio. Talvez eu esteja exagerando…acho que a minha Quaresma é que invadiu o Carnaval.

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Antecipando o tempo

Há 20 dias tenho dormido um sono picado. Uma nova queda de minha mãe – desta vez mais grave e que a obriga a dormir mal por causa de um colar cervical – tornou meu sono leve e assustado. E, de certa maneira,  antecipei esse tempo quando decidi voltar a morar em São Paulo. Um tempo que não é mais meu. E embora cansada me sinto livre.

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O tempo do gato

Gatos vivem seus tempos de uma maneira  intrusiva muito peculiar no tempo dos outros – diferentemente de cães e algumas pessoas. Sim, sentei na poltrona com o laptop no colo (onde mais) para escrever um post antes do final do ano e Molly  resolveu que era hora de seu colo, embora eu esteja em casa há várias horas sem fazer nada. E Franny decidiu que era hora de saltar de uma mesa para a poltrona. Elas são intensivas? Não, elas me lembram que certas intrusões vêm a calhar e podem ser inspiradoras. Post meloso de final de ano? Pode ser, mas prefiro acreditar que Franny e Molly estão forçando a minha (mais do que adiada) observação da serendipity em minha vida.

Serendipity pode ser explicada como a capacidade de descobrir coisas sem partir para essa busca. O termo foi cunhado por Horace Walpole e o aprendi em 2004, mas só agora tenho refletido seriamente sobre essa habilidade. Era o que eu mais queria fazer em 2017. Se você sabe usar a serendipity não há tempo perdido e não há culpa pelo tempo perdido. Você não controla o tempo e ele não te controla. Você o vive de outra maneira.

Esse é o verdadeiro pulo do gato.

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timming

Continuo pensando no tempo. Agora fiquei obcecada com o fator “timming”. Contraditória que sou, continuo pensando na “serendipity”, situação que para existir não deve permitir o “timming”.

 

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Le temps pendu

Vivo um momento peculiar, já que a “normalidade” e a rotina se converteram no diferente e no imprevisto. Além disso, minha natural agitação, que me leva a estar sempre em movimento (inclusive nos sonhos) está enfraquecida e, embora eu me desloque, o faço do ponto A ao B e depois até o C e de volta ao A.

Sempre gostei da carta do enforcado (le pendu) no tarô. Achava que ela a que melhor me representava, já que sempre me vi como uma pessoa de ponta cabeça. Acho que estar suspensa, entre momentos diferentes da minha vida, ainda sem saber qual o caminho a seguir e ao mesmo tempo sem poder seguir nenhum, já que estou suspensa é o que sinto hoje. Sem desespero, sem pressa. Como o enforcado da carta do tarô.

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Angela Carter

Fui ler Angela Carter há muitos anos, quando ainda lecionava na Unesp – Assis. Uma colega da área de literatura inglesa, Cleide Rapucci fazia seu doutorado e fui à defesa da tese. “For the record” certamente a melhor defesa que vi em minha curta vida de público de defesas de tese, já que outras experiências desastrosas nas três universidades públicas do nosso estado me afastaram para sempre da pantomima que a maioria é  (a defesa, não necessariamente a tese). Naquela tarde , entretanto, tudo o que foi dito e discutido sobre Angela me fez querer ler o que aquela escritora inglesa, falecida cedo, em 1992 havia produzido. Não li muito, mas li The bloddy chambres e um outro no qual Angela rescrevia fábulas francesas numa chave feminista, além disso  já conhecia The company of wolves, o filme de Neil Jordan baseado no livro de Carter.

Agora a BBC 4 (rádio) em seu programa Book of the week, traz a biografia de Angela escrita por Edmund Gordon. Por enquanto só dois dos 5 episódios foram transmitidos e  sido bem interessante porque Angela continua sendo uma escritora que me faz querer ler.

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